Por entre caminhos afetivos


É tempo

É tempo de parar o ritmo.

É tempo de se dar conta que a vida segue o seu próprio rumo.

É tempo de fertilizar ideias novas, e ajudá-las a germinar.

É tempo de escutar as necessidades mais íntimas e secretas.

É tempo de aquecer a vida, de corrigir caminhos enganosos,

atravessar o fio pendido, e

restabelecer o equilíbrio.

Qual o grande objetivo na vida?

Uma pergunta óbvia e fácil de responder, que ecoa por todo o nosso caminho. Infelizmente não damos ouvido ao nosso chamamento mais profundo e especial. Estamos sempre muito apressados e não temos tempo. A mola propulsora vem acompanhada do cotidiano e da rotina que não quebramos. Os nossos padrões estão expressos em todos os mecanismos que garantem a sua perpetuação. Não preenchem as carências no que tangem à afetividade, e nem mesmo aos desejos individuais e coletivos.

As questões básicas “quem eu sou, no que eu penso, no que eu acredito” levamos para toda a vida. É necessário contemplar a pessoa humana. Ainda, envelhecer é o caminho a ser seguido, é preciso aprender a querer envelhecer. O envelhecimento é uma questão inexorável. O que se quer salientar é o embate que se trava entre o envelhecimento natural e a sua negação. Sabemos que ao longo dos anos, e no cotidiano, devido aos padrões sociais estabelecidos, há por grande parte da população o viés de negar a sua própria idade, o que é próprio da ideologia vigente.

É, aqui, importante destacar a necessidade de mudanças profundas no nosso modo de pensar, e, em nenhum momento podemos deixar de perceber que o grande objetivo na vida de cada um, independente de classe social, é ser feliz, e não devemos postergar esse objetivo como sendo o último.

Muita gente tem medo de envelhecer. Ser velho não deve ser motivo de tristeza, a não ser quando as pessoas são relegadas ao abandono. Difere sutilmente, na sua essência, o físico com o espiritual. É bem verdade que encontramos pessoas de pouca idade, com vigor físico, porém com espírito de uma pessoa idosa, carregando consigo certa amargura. E o contrário também é verdadeiro, encontramos pessoas idosas com vigor físico e mental de um jovem. Mas a questão básica é a linha da vida que trilhamos, que educação se recebeu, como cresceu, o que foi feito na vida, ou o que a vida proporcionou.

É certo que envelhecemos como vivemos, e para que tenhamos um envelhecimento com saúde e dignidade temos que nos preparar para isso ao longo de nossa existência. Não podemos deixar de perceber a importância da afetividade em nossa vida, e o quanto podemos nos beneficiar ao conduzir a nossa vida por meios afetivos saudáveis, sem ressentimentos ou culpas. E, no envolvimento ou comunhão inclinada para o outro, o envolvimento social. Nós seremos os maiores beneficiados. Hoje em dia é insustentável não nos comprometermos com o outro. Dessa forma, consegue-se reverter as dissonâncias em uma harmonia de realizações.

Finalmente, por entre caminhos afetivos, que cada um possa pinçar de cada letra, de cada palavra lida, o seu próprio entendimento desse mundo concebido a partir do verbo, que se fez concreto. Que se faça da escrita o registro não só do que aconteceu, mas do que está por vir, por sentir e fluir. Que se faça da leitura o seu melhor alimento! Assim, construindo e nos compreendendo, a cada um. Dessa construção de si mesmo, que se possa abstrair a construção desse mundo. Que se faça isso pela própria alma e pelo despertar do espírito!



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by Benedito Silva