¿Y el Abaporu?
- 29 de jul.
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E o Abaporu?
É uma pergunta simples, mas que carrega um desconforto silencioso.
Onde está o quadro que talvez melhor represente a identidade artística do Brasil?
O Abaporu não pertence ao Estado brasileiro. Sua morada é o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), na Argentina. Ali está preservado, admirado por milhares de visitantes e reconhecido como uma das obras fundamentais da arte latino-americana.
Nada há de ilegítimo nisso. A obra foi adquirida legalmente. Está protegida, estudada e exposta ao público.
Ainda assim, permanece uma sensação difícil de ignorar.
O Abaporu não é apenas uma pintura de Tarsila do Amaral. É o nascimento de uma ideia. É a imagem que inspirou o Manifesto Antropófago, ajudando a redefinir a maneira como o Brasil passou a pensar a si mesmo. Poucas obras possuem tamanho peso simbólico na construção da nossa cultura.
Quando franceses entram no Louvre, encontram a Mona Lisa. Quando espanhóis visitam o Prado, encontram Las Meninas. São obras que se tornaram parte da memória nacional.
Nós, brasileiros, precisamos atravessar uma fronteira para encontrar o Abaporu.
Não se trata de nacionalismo exacerbado, nem de questionar a legitimidade de seu atual proprietário. Trata-se de reconhecer que algumas obras ultrapassam o valor de mercado. Tornam-se patrimônio afetivo de um povo.
Talvez a pergunta mais importante não seja por que o Abaporu está na Argentina.
Talvez seja outra.
Como permitimos que uma das imagens mais importantes da nossa história deixasse o país?
As obras de arte contam histórias.

Mas, às vezes, é o caminho percorrido por elas que revela a história mais profunda.




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